Um odor acre,
um eflúvio nauseante.
No ar, a neblina espessa
em forma de cartas de baralho
ou de uma bola de cristal...
Quiçá na forma de uma urna
funerária ou eletrônica.
Falta de ar num quarto fechado:
O futuro se distancia,
correndo pelos campos
e espalhando maus presságios
por gramas que um dia foram verdes.
Céu coberto de placas de chumbo,
e na terra os muitos coturnos,
que quebram o silêncio soturno
com passadas ritmadas
de uma máquina que só produz
ceticismo e carnes em putrefação.
O futuro continua a se distanciar
e corre como se não nos conhecesse;
Por onde anda, ele sepulta o presente
e fere os olhos de uma multidão
com a lâmina de uma velha navalha,
reproduzindo os devaneios de Buñuel.
Meu peito arfa e as pernas adormecem.
Mas o céu grisalho e envelhecido
empurra meu corpo contra o horizonte:
É para lá que caminha o futuro
e onde se esconde — envergonhado
dos pecados alheios — o vermelho sol.
12.10.2026
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