segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Sol Vermelho

 


Um odor acre,

um eflúvio nauseante.

No ar, a neblina espessa

em forma de cartas de baralho

ou de uma bola de cristal...

Quiçá na forma de uma urna

funerária ou eletrônica.

Falta de ar num quarto fechado:

O futuro se distancia,

correndo pelos campos

e espalhando maus presságios

por gramas que um dia foram verdes.

Céu coberto de placas de chumbo,

e na terra os muitos coturnos,

que quebram o silêncio soturno

com passadas ritmadas

de uma máquina que só produz

ceticismo e carnes em putrefação.

O futuro continua a se distanciar

e corre como se não nos conhecesse;

Por onde anda, ele sepulta o presente

e fere os olhos de uma multidão

com a lâmina de uma velha navalha,

reproduzindo os devaneios de Buñuel.

Meu peito arfa e as pernas adormecem.

Mas o céu grisalho e envelhecido

empurra meu corpo contra o horizonte:

É para lá que caminha o futuro

e onde se esconde — envergonhado

dos pecados alheios — o vermelho sol.

12.10.2026

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