quarta-feira, 4 de julho de 2018

Dorian



As gavetas onde guardas
Teus projetos, escritos e poemas
É em verdade o cárcere d’alma,
As celas que sufocam o grito
E a melodia do hino da Liberdade.
Quebra as gavetas, liberta-te
Faz com que tuas palavras voem
Até descobrirem o limite do infinito.
Não almejo de ti um gesto heróico,
Mas antes, um ato humano apenas.
Rasga teu peito com a voracidade
De quem quebra o último grilhão.
Não nos resta nada mais, nada mais
Do que a tradução de nossas dores,
E também das alegrias vividas,
Nas palavras que campeamos e colhemos
Para ornamentar o nosso testamento.
Que as folhas não envelheçam nas gavetas,
Pois velhas e amareladas elas simbolizam
A alma emoldurada em nossa carne.
Que as palavras saltem de folhas brancas,
Novas e viçosas, porque assim serão
O reflexo de nossa eterna juventude.
E o estandarte que tremula no ar,
Amando o vento com a sua cor,
Será o da esperança e da liberdade.

28.05.2017

Carlos Carvalho Cavalheiro

Quem acredita, cresce

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=10211340726569967&id=1114926741

Interpretação de Edelvan Passos. Direção: Roberto Ramos.

Ergástulo



A fumaça
O planeta
As embalagens
Tudo o que contém
E tudo o que detém.
A carne
O capitalismo
O incessante trabalho,
A gravata apertada
E o relógio que vomita
Com sarcasmo as horas
Que não vivemos.
A obsolescência programada
A necessidade criada
E a falta de dinheiro.
A miséria
A fome
O medo.
Do minúsculo ergástulo
Somente o raio de sol,
Que fere o corpo da escuridão,
Penetrando pelas frestas das grades,
Faz lembrar a existência de um lugar
Chamado de Liberdade.

27.07.2017

Carlos Carvalho Cavalheiro

Poesia classificada em 2º Lugar no V Prêmio Literário Cidade Poesia, promovido pela ASES – Associação de Escritores de Bragança Paulista / SP, 2017.

“Quem acredita cresce”



A gota de água superou o medo
E intrépida, saltou da folha da árvore.
Logo a gota não era mais uma partícula,
Havia formado, com outras gotas, um regato
E esse regato correu mundo afora
Acreditando em sua potência subjetiva
E, encontrando outros regatos, converteu-se
Num curso d’água maior, num riacho.
E o riacho avançando sempre em frente
Acreditou no seu destino, na sua sina
E assim, transmutou-se em um rio
E o rio caminhou por planaltos e serras
Abriu vales e fez a sua fama, seu sucesso
Encontrou-se com o mar e cresceu,
Conheceu o mundo, abraçando o globo.
Um dia, o calor do sol arrebatou a gota
Suspendendo-a ao céu em forma de vapor.
Mas a gota não perdera a sua fé.
Logo se juntou a outras partículas,
Formou extraordinárias nuvens.
Até que decidiu que já estava pronta
Para refazer todo o caminho
Escrevendo sua história e acreditando
Na sua capacidade inata de ser mais!


05.02.2016


Carlos Carvalho Cavalheiro

Menção Honrosa no 5º Concurso Literário Pague Menos, tema: "Quem acredita, cresce", 2016.

Deuses



Marte entrou na festa
Odin já estava lá
Mas Ogum ficou de fora
Ao lado do amigo Oxalá.
Nyx estava deslumbrante
Com seu vestido de luto
Salpicado de pontos brilhantes
Acompanhada de Nuit, Nótt e outras,
Outras que não eram negras.
Exu quis adentrar ao baile,
Mas na porta foi barrado!
Espera! Hermes e Mercúrio,
E até Anjos judaicos lá estão...
Porém, você, Exu, carrega tridente!
Todavia, Shiva e Netuno também!
O seu argumento não é válido
Deixa em paz os outros deuses,
E conforme-se com isso:
“A festa não é para todos...
Alguns dançam a valsa,
Enquanto outros olham os carros”.

Carlos Carvalho Cavalheiro – 17.05.2018

Reminiscência



O cheiro de bolo de milho conquista o ambiente
Como uma horda impetuosa de bárbaros!
O café coado na hora complementa o quadro de odores.
Quanta lembrança despertada, quanta memória reativada.
Lembro-me de minha mãe fazendo o bolo...
Parece a descrição do Gênesis, quando Deus cria o homem
Daquilo que parecia ser apenas pó e mais nada.
Bolo de milho lembra também festa junina:
Recriação das antigas religiões da natureza.
Divindade, lembrança, mãe, bolo e natureza...
Tudo mesclado, amalgamado como a massa de farinha e ovo,
E milho, dourado como o precioso metal, metáfora do sol.
E da terra que brota o milho, milagre da fertilidade,
Mais uma vez o divino se manifesta na simplicidade,
Uma mesa de madeira, um bolo e um café!
Ao fundo, um acorde de viola caipira.


junho de 2018

Carlos Carvalho Cavalheiro

Poesia classificada em 1º Lugar no 1º Concurso de Poesia Junina, com o tema: "Bolo de Milho", coordenado por Eliseu Campos.

Alquimia garimpeira



Buscando a preciosidade
Entre as pedras tão comuns
Separando do cascalho
Aquilo que pode brilhar
Com a intensidade de uma estrela
Pés lavados pela água do riacho
Sonhos levados pela correnteza
Somos todos levados e lavados
Pelas correntezas da vida
Enquanto fazemos escolhas,
Do feijão, dos seixos e dos caminhos,
Buscamos a vida, a fortuna e o sentido.
Enquanto as mãos procuram pela riqueza,
Na escolha imprevidente e na contramão
De todas as possibilidades estatísticas,
O coração procura pelo sonho perdido
(Sonho e riqueza, uma mútua metáfora)
De todos os olhos comuns que me olham
Separei aqueles que provocam a alquimia
Fazendo arder em chamas o meu coração
Transmutando aquilo que é ignóbil
Em ouro dos mais recônditos desejos oníricos.


09/04/2017

Carlos Carvalho Cavalheiro



Menção Honrosa no 6º Concurso Literário Pague Menos, com tema "Onde está o seu sonho?", 2017.